O Projeto Peixe-Boi surgiu em 1980, a partir da necessidade do governo brasileiro em diagnosticar a situação do peixe-boi marinho ( Trichechus manatus ) em seu território.

O primeiro levantamento realizado no litoral norte-nordeste demonstrou o desaparecimento da espécie na costa do Espírito Santo (limite meridional da distribuição do peixe-boi marinho no Brasil) e Bahia. Os dados indicaram o Estado da Paraíba como importante área de ocorrência da espécie e, baseando-se nestas informações, foi criada em 1986 a primeira Base de Proteção e Pesquisa do Peixe-Boi Marinho no Brasil, localizada na Barra de Mamanguape/PB.

Em 1989 nasceu a Fundação Mamíferos Aquáticos, visando trabalhar em aliança com o governo no fortalecimento das ações de conservação e pesquisa do peixe-boi marinho. Paralelamente, o IBAMA criou, em 1990, o Centro Nacional de Conservação e Manejo de Sirênios (Centro Peixe-Boi).

A partir destas iniciativas, a segunda década do Projeto pôde ser marcada por ações de extrema relevância, como a definição do status de conservação, o resgate e reabilitação de filhotes órfãos, a criação de novas unidades executoras e a geração de informações cientificas inéditas. O pioneirismo se destacou com a primeira reintrodução em ambiente natural de filhotes reabilitados em cativeiro (1994) e com o nascimento do primeiro peixe-boi em cativeiro na América Latina (1996).

Em 1997 o Projeto obtém seu primeiro patrocinador oficial, a Petrobras. No ano seguinte o Centro Peixe-Boi/Ibama foi promovido a Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos, ampliando a abrangência de sua missão e atuação. No entanto, o Projeto Peixe-Boi se mantém prioritário, em decorrência do crítico status de extinção em que a espécie se encontra.

Nestes 25 anos do Projeto Peixe-Boi foram resgatados 44 animais, dos quais 13 foram reintroduzidos em seu ambiente natural. Num total, 57 peixes-bois foram manejados nos oceanários do CMA/Ibama em Itamaracá, representando em torno de 25% da população estimada para a região nordeste. A caça de subsistência da espécie foi substituída por usos não letais e a sociedade passou a ser peça chave no processo conservacionista. Atualmente a espécie é tida como agregadora de valor turístico, cultural e científico em suas áreas de ocorrência. Nas estruturas do Projeto, dezenas de universitários e profissionais são capacitados anualmente em técnicas de manejo, pesquisa e conservação da espécie e de seu habitat. Nos Centros de Visitantes, milhares de pessoas têm a oportunidade de conhecer e obter informações sobre os mamíferos aquáticos.

Atividades Prioritárias do Projeto

Como se trata de um projeto de conservação de espécie com alto grau de ameaça de extinção, a estratégia para estruturação do Projeto Peixe-Boi envolveu os aspectos relacionados diretamente na avaliação do status de conservação da espécie. Desta forma, a geração de informações básicas como distribuição geográfica, estimativas populacionais, pressão de caça e avaliação de habitat, compõem as Metas Prioritárias para a definição do status de conservação do peixe-boi marinho no Brasil, informações estas inexistentes até o inicio da década de 80.

Foram incorporadas, na estrutura do Projeto, Metas conservacionistas que, junto com as informações geradas, são as ações desenvolvidas para evitar a eminente extinção do peixe-boi marinho, objetivo geral do Projeto.

Sendo este um projeto de prazo indefinido, extensa abrangência territorial, estreita relação com as comunidades litorâneas e com limitações de recursos, contemplou-se também Metas de sustentabilidade e divulgação das ações .

O Projeto Peixe-Boi tem hoje um importante papel no fornecimento de subsídios aos pareceres técnicos emitidos pelo CMA/Ibama no processo de licenciamento ambiental, como atividades sísmicas, prospecção de petróleo, carcinicultura, empreendimentos imobiliários, entre outros. Em seus 26 anos de existência, o Projeto vem contribuindo para a criação de áreas protegidas ao longo do litoral norte-nordeste do Brasil e buscando inserir na formulação das políticas públicas a conservação do peixe-boi marinho.