Como não é novidade para ninguém, o câncer de mama é uma doença que evolui muito rapidamente. E seu diagnóstico precoce, na maioria das vezes assegura a cura total. No entanto, diagnóstico sem tratamento efetivo não resolve o problema.

Para ser detectado precocemente, já que é uma doença “silenciosa” no início, o único caminho é a PREVENÇÃO.  E, muitas mulheres ainda neglicenciam neste tema.

Vencidas as etapas da prevenção, diagnóstico e encaminhamento para o tratamento, tem um desafio que só depende da pessoa que foi diagnosticada com CA de mama: que é como ela recebe e encara a doença.  Ouso dizer que a decisão efetiva da cura (desde que não haja a metástase), está nas mãos do próprio paciente. Ou melhor, na MENTE. Sim, porque a mente é a grande responsável pela cura (ou não). Mas, por incrível que pareça, muitas pessoas morrem não em função do câncer, mas sim por outras doenças, como consequência da forma como se encara o diagnóstico.

No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama também é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa a primeira posição. Para o ano de 2016 foram estimados 57.960 casos novos, que representam uma taxa de incidência de 56,2 casos por 100.000 mulheres (Fonte: INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Estimativa 2016. Incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2015

Vivemos num país, onde o sistema de saúde está em colapso, há anos. A falta de médicos e consequentemente, a demora para ser atendido nos centros de saúde ou nos hospitais, coloca em risco a vida de muitos pacientes, não só os de câncer.

Apesar de algumas iniciativas do Governo para trazer celeridade ao tema, criando e atualizando vários “S”, como o Sistema de Informação de Câncer (SISCAN), que integra o Sistema de Informação do Câncer de Mama (SISMAMA) bem como a publicação da Portaria nº 189, de 2014, que estabeleceu incentivos financeiros de custeio e de investimento para a implantação de Serviços de Referência para Diagnóstico do Câncer de Mama (SDM), infelizmente, pouco ou nada se vê de ações efetivas.

E o problema não está apenas no Sistema Público de Saúde. Quem utiliza o sistema privado também enfrenta várias dificuldades. Com o aumento do poder aquisitivo da população nos últimos anos, muitos brasileiros migraram para o sistema privado. Porém, os Planos de Saúde demonstram priorizar a cada dia o aumento de sua rentabilidade, e não, em atender ao objetivo principal que deveria ser proporcionar o acesso efetivo ao sistema de saúde. Basta verificar que em 10 anos, houve um aumento de 160% nas mensalidades dos Planos de Saúde e esses, aumentaram os honorários médicos em 50% no mesmo período (Fonte: Federação Nacional dos Médicos – FENAM). Resultado: desequilíbrio e colapso.

Poucos (se comparados ao total de pacientes) são os que conseguem um atendimento contínuo entre o diagnóstico e tratamento.

Felizmente fui uma dessas pessoas que conseguiu seguir sem interrupções entre os exames preventivos, o diagnóstico, o tratamento e a cura. Porque um grande desafio, já não bastasse ter que lidar com impacto causado pela notícia do diagnóstico, é saber se “teremos tempo suficiente” entre diagnóstico e tratamento.

Ao receber o diagnóstico e tentar assimilar o que ele representa e representará em sua vida, vem o momento de comunicar aos seus familiares e amigos o que será vivido a partir daquele momento. As reações são as mais diversas possíveis. Mas quem “dita o tom” é o paciente. Nossos entes queridos, naturalmente ficarão preocupados e, ao perceberem como reagimos, ficarão mais ou menos apreensivos.  Mas esse compartilhamento é importante porque ninguém está sozinho e precisa de apoio. E ter o conforto de quem amamos, nos ajuda muito. Revigora.  Porém, o contrário também pode acontecer caso a pessoa te veja como um coitado, uma vítima.  Não permita que isso aconteça, jamais.

 

MÁRCIA BERNARDO DE SOUZA